Tecnologia no Cotidiano

Como O Facebook Pode Revelar Quem Você Ama

A partir de um mapa de amigos no Facebook, um algoritmo desenvolvido por Jon Kleinberg e Lars Backstrom, pesquisadores da Universidade de Cornell, poderá identificar o cônjuge, noivo ou par romântico de uma pessoa em, aproximadamente, 70% dos casos.

Segundo Kleinberg, o que se está tentando montar é um tipo de “kit de química” para achar elementos constituintes de uma rede. Como é fácil de se antever, o método auxilia melhor quando o par identificado é casado e funciona melhor quanto maior o tempo da relação. O lado negro da questão é que quando o algoritmo não seleciona a pessoa que é a parceira no relacionamento, há uma chance significativa de o par terminar a relação em um ou dois meses.

Os pesquisadores testaram seus métodos em uma massa anônima de dados referentes a 1,3 milhões de usuários do Facebook selecionados ao acaso, com idade de 20 anos ou mais e que indicaram seus status como casados, noivos ou em um relacionamento sério. Juntamente com a lista de amigos de um usuário do Facebook, os dados também mostram como estes amigos se ligam uns aos outros.

O senso comum aponta que a primeira pista para se descobrir um par romântico seria a quantidade de amigos em comum. Segundo os pesquisadores, isto funciona mas não muito bem, tendo se confirmado esta hipótese em apenas 25% das vezes. Diante disto, foi introduzido um conceito denominado de “dispersão”, segundo o qual os amigos em comum do par não estão fortemente conectados entre si mas espalhados por vários aspectos da vida do usuário central. Em outras palavras, sua esposa vai aonde você vai, conhece as pessoas do seu trabalho, sua igreja, seu clube e assim por diante. Entretanto, estas pessoas conhecidas no trabalho, no clube e na igreja raramente se encontram nos mesmos grupos de amigos.

Segundo Kleinberg, a pergunta correta a ser feita é como o relacionamento chegou àquelas características. No exemplo citado, sua esposa funciona como uma espécie de viajante no tempo em sua vida, tendo voltado e conhecido todas aquelas pessoas, acrescendo-as à sua linha do tempo.

A partir daí, os pesquisadores decompuseram a dispersão pelos amigos dispersos. Em outras palavras, tentaram identificar se a pessoa de seu trabalho que seu par romântico conhece é também conhecida por alguma pessoa em sua igreja e em seu clube. Além disso, também foram adicionadas medições de interação, tais como com que frequência as pessoas olham os perfis das outras, comparecem aos mesmos eventos ou aparecem juntas em fotos. Com isso, os pesquisadores conseguiram identificar parceiros em 70,5% das vezes, sendo que as outras pessoas escolhidas pelo algoritmo frequentemente se tratavam de familiares ou de parceiros destes.

Como subproduto do emprego do algoritmo, os pesquisadores foram capazes de identificar, 68,3% das vezes, se um determinado usuário estava ou não em algum tipo de relacionamento, bem como se o relacionamento se tratava ou não de um casamento, com 79% de precisão.

Segundo os pesquisadores, isto é só o começo, pois ainda existem muitas outras aplicações para a análise baseada em dispersão, incluindo o agrupamento de pessoas em categorias, ou ainda, para cientistas sociais, a possibilidade de se descobrir pessoas que não se enquadram em nenhuma categoria. Backstrom, o responsável pelo desenvolvimento da aplicação do Facebook que recomenda amigos, está buscando maneiras de avaliar as mensagens que chegam aos usuários do Facebook segundo o relacionamento destes usuários com a fonte das mensagens, visando torná-las mais eficazes.

Segundo Kleinberg, a identificação de laços entre as pessoas pode indicar como se influenciar um grupo, identificando-se eventuais fontes de poder no âmbito dos grupos.

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