Tecnologia no Cotidiano

O Paradoxo da Amizade – Seus Amigos Têm Mais Amigos Que Você

Em 1991, o sociólogo Scott Feld fez uma descoberta surpreendente enquanto estudava as propriedades das redes sociais. Feld calculou o número médio de amigos que uma pessoa na rede tinha e comparou-o com o número médio de amigos que os amigos da pessoa tinham.

Contrariando todas as expectativas, Feld constatou que o segundo número é sempre maior que o primeiro. Em outras palavras, seus amigos têm mais amigos que você.

Desde então, os pesquisadores observaram o então designado paradoxo da amizade em uma gama variada de situações. No Facebook, seus amigos terão mais amigos que você. No Twittter, seus seguidores terão mais seguidores que você. E na vida real, seus parceiros sexuais terão tido mais parceiros sexuais que você. Pelo menos em média, segundo os pesquisadores.

Engenheiros de Redes de Comunicações já sabem há muito tempo que este efeito paradoxal é resultado da topologia das redes – o modo pelo qual seus nós se conectam para formá-las. Esta é a razão pela qual redes semelhantes compartilham as mesmas propriedades paradoxais.

Mas será que seus amigos são também mais felizes ou ricos que você?

Isto não fica tão claro porque felicidade e riqueza não estão representadas diretamente na topologia de uma rede de amizade. Portanto, uma questão muito interessante seria até onde o paradoxo vai.

Esta questão está sendo respondida graças ao trabalho de Young-Ho Eom na Universidade de Toulouse, na França, e ao trabalho de Hang-Hyun Jo na Universidade de Aalto, na Finlândia. Estes pesquisadores avaliaram as propriedades de diferentes características nas redes e obtiveram as condições matemáticas que determinam se o paradoxo se aplica ou não. Desse modo, a resposta obtida para a pergunta anterior foi sim- seus amigos provavelmente são mais ricos que você.

O paradoxo se aplica porque a quantidade de amigos que as pessoas têm está distribuída em uma maneira que segue uma lei de poder, ao invés de uma relação linear comum. Desse modo, muitas pessoas têm poucos amigos, enquanto um número pequeno de pessoas tem inúmeros amigos.

É este segundo grupo, pequeno, que causa o paradoxo. Para começar, pessoas com inúmeros amigos têm maior probabilidade de estar dentre seus amigos. Quando isto acontece, estas pessoas elevam significativamente a quantidade média de amigos que seus amigos têm. Esta é a razão pela qual, na média, seus amigos têm mais amigos que você.

Mas e quanto às outras características, tais como riqueza e felicidade, que não são representadas na topologia de rede?

Para estudar outros tipos de rede, Eom e Jo recorreram a 2 redes acadêmicas, nas quais os cientistas estarão interligados se foram coautores em um mesmo trabalho acadêmico. Nestas redes, cada cientista é um nó de rede e as ligações surgem entre aqueles que foram coautores juntos.

Constatou-se que o paradoxo também surge nestas redes. Se você é um cientista, seus coautores terão tido mais coautores que você, conforme refletido na topologia de rede. Mas, curiosamente, eles também terão mais publicações e menções que você.

Eom e Jo chamaram a isto “paradoxo da amizade generalizado” e continuam a buscar as condições matemáticas nas quais ele ocorre. Eles afirmam que quando um paradoxo surge como resultado da maneira pela qual os nós são conectados, várias outras propriedades destes nós demonstram a mesma natureza paradoxal, na medida em que em há uma correlação entre o modo pelo qual os nós são conectados e as propriedades daí decorrentes.

Como pode se deduzir, a resposta para riqueza e felicidade é sim – seus amigos provavelmente são mais ricos e felizes que você.

Isto possui implicações significativas na maneira pela qual a s pessoas percebem a si mesmas, considerando que seus amigos sempre irão aparentar serem mais felizes e ricos, além de serem mais populares. O problema é maior em redes nas quais isto é mais fácil de se perceber. Esta pode ser a razão pela qual os usuários de redes sociais não são felizes, afirmam Eom e Jo referindo-se a outra pesquisa na qual foram encontrados níveis maiores de infelicidade dentre os usuários de redes sociais.

Portanto, se você é um usuário ativo do Facebook que se sente infeliz porque seus amigos aparentam estarem melhores que você, lembre-se que quase todas as demais pessoas conectadas ao Facebook estão em posição similar.

Pelo menos isto é o que os pesquisadores deste estudo nos querem fazer crer.

 

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